Mais de 30 estudantes reclamam de suposta injustiça no processo de apuramento para bolsas de estudos

Estudantes dizem que houve falta de clareza nos critérios de selecção para bolsas para Portugal e que o instituto de bolsas estava a exigir documentos não previstos no edital lançado para o concurso.

Estudantes, pais e encarregados de educação concentraram-se esta sexta-feira em frente ao Instituto de Bolsas de Estudo, em Maputo, para exigir explicações da entidade sobre supostas injustas reprovações em massa.

Os candidatos concorreram há mais de dois meses a diversas bolsas de cursos superiores em Portugal. Nesse período, foram-lhes exigidos alguns documentos, que foram preparados, apresentados e submetidos ao Instituto de Bolsas de Estudo.

Depois da submissão das candidaturas, tal como explica uma encarregada, “houve uma lista de documentos exigidos, que não incluía certificados da décima e décima primeira classes, exigia apenas o certificado do décimo segundo ano, que devia passar pelo instituto de equivalência, pela inspecção e, inclusive, pela escola portuguesa, que tinha que os autenticar no início de Setembro”, desabafou Lolde Verónica.

Faltando apenas cinco dias para a apresentação das listas de apurados, mais documentos que não constavam do edital de candidatura foram exigidos. “Não tendo em conta que o décimo primeiro ano é apenas uma declaração de passagem, porque decorreu no ano da COVID-19 e as escolas só emitiam a declaração de passagem. No caso do meu filho, disseram que ele não tinha sido apurado porque não possuía todos os documentos, mas eu submeti-os e tenho provas disso”, acrescentou.

Alguns estudantes, mesmo tendo apresentado todos os documentos exigidos, não foram apurados, pelo que dizem não entender os critérios de selecção que foram usados.

“Lançaram lista definitiva ontem, e a justificação foi a de que eu não apresentei nenhum documento, enquanto, dias antes, me mandaram um comparativo, em que acusavam a recepção de todos os meus documentos”, afirmou uma estudante.

Outro estudante explicou que submeteu os documentos “a tempo e hora, mas eu fui injustiçado. Eles disseram que não tinha condições para fazer o curso, sem especificar qual. Tenho colegas que submeteram documento iguais aos meus e foram aprovados e eu não. Gostava de saber qual foi o critério usado para esta selecção­”, questionou.

O Instituto de Bolsas de Estudo reagiu ao assunto e explicou que é apenas responsável pela disponibilização das bolsas, atribuindo os critérios de selecção às entidades que oferecem as bolsas.

“Já recebemos as questões, acolhemo-las, mas ainda não temos respostas acabadas, e nesse sentido que estamos a interagir com a embaixada de Moçambique em Portugal, de modo a entender o que terá acontecido com cada caso em especial”, garantiu o chefe do Departamento de Bolsas, Leu dos Santos, depois de uma reunião com a direcção.

Sobre a exigência de documentos acima da hora, Dos Santos diz que se trata de um novo requisito acrescentado este ano.

Similar Posts